Jovens do interior de Pernambuco desenvolvem soluções inovadoras para a Feira Livre

Se a vida lhe dá limões, você já sabe o que fazer. Mas e se forem cascas de laranja e maracujá que iriam para o lixo da feira? O grupo Dona Xepa criou uma farinha e, com ela, fez biscoitos para vender em embalagens feitas de garrafas pet. Dona Xepa é um dos cinco grupos – formados por 20 estudantes de escolas técnicas de Belo Jardim, no Agreste que apresentaram seus produtos para uma plateia de empreendedores, investidores e especialistas no Bairro do Recife dentro do projeto Empreendedorismo e Inovação Maker, realizado pelo Fab Lab Recife em parceria com o Instituto Conceição Moura. 

Os jovens foram desafiados a encontrar soluções para os problemas da feira livre da cidade, usando técnicas e metodologias como Design Thinking, fabricação digital  e outras que focam na imersão do problema para a geração de soluções. São as mesmas utilizadas em startups e nos ecossistemas de inovação. “Das cinco equipes, entendi que no mínimo duas já estão prontas para ir ao menos testar no mercado. E os outros ainda vão tentar, errar, acertar, ver outras aplicações e ir a frente. É um legado importantíssimo, principalmente levando essa provocação para eles começarem a empreender”, pontuou Yves Nogueira, empreendedor na área de TI e investidor anjo.

O projeto  e contou com 32 horas de mentoria, divididas em 16 dias ao longo de 5 meses. “A gente conseguiu mostrar que tudo parte do problema, que é investigado, depois se cria um experimento para tentar intervir nesse problema, coleta os resultados esperados e inesperados, reavalia, gera outro experimento, volta a campo, começa a pensar em modelo de negócio, começa a pensar em estética, na desejabilidade do produto e aí a gente vai trabalhando nisso de forma contínua”, explica Leo Lima, monitor do projeto. 

Um outro grupo, o Salvum, identificou que os feirantes tinham dificuldade em guardar o dinheiro e passar os trocos, já que colocavam em caixas muito expostas e desorganizadas. E desenvolveu um tecido plástico, produzido a partir da fusão de sacolas plásticas usadas, para fabricar pochetes para esses feirantes.

Outro produto foi um expositor vertical giratório, ideia do grupo Amplif Market, que quis organizar as barracas de forma mais funcional e lúdica, além de ser fácil de desmontar. O Mosk conversou com vários feirantes e viu que o acúmulo de moscas faz com que eles percam clientes e estraguem produtos, foi aí que eles transformaram garrafas pet em iscas e fizeram vasos com plantas repelentes. Por fim, o Feira Connect desenvolveu um aplicativo para localizar os feirantes, identificando o que cada um vende, contando a história da feira e dos feirantes, com fotos e até gritos dos feirantes. 

Muito além das soluções, o projeto buscou dar autonomia para esses jovens a partir de um pensamento empreendedor e inovador. “A gente mostrou pra esses jovens que, a partir do processo de design, eles podem andar com as próprias pernas. Trazendo confiança, para que eles se apropriem do projeto e tenham essa autonomia, que é o que caracteriza o maker”, disse Leo Lima.

Comentários

Outras notícias